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Burburinho 9 / 12 / 2016| Vitória Régia

“A cidade que me acolhe é a favela”

Dirigido por Edilano Cavalcante, o documentário Filhos da Pátria conta cinco histórias de jovens migrantes de diferentes estados do Brasil que residem nas comunidades de Manguinhos, Mangueira, Caju, Vila do João e Fallet

Foto: Alto do Morro (Filhos da Pátria/ Divulgação)

A trajetória de jovens moradores de favelas cariocas vindos do Ceará, Maranhão, Pará e Piauí é o tema do documentário Filhos da Pátria. O filme foi exibido na última quarta (07), em Manguinhos. Morador da comunidade, o diretor e roteirista da obra Edilano Cavalcante conta a história de brasileiros que decidiram mudar para o Rio não por sobrevivência, como faziam as gerações passadas, mas em busca de realização profissional.

"Quando a gente chega aqui, vem com a imagem da cidade maravilhosa. O que é muito bonito, mas a realidade é outra. Quando eu vi as possibilidades que tinha, com a grana que tinha, fui parar no morro", afirma no filme Felipe Carneiro. Nascido em Belém (PA), ele mora hoje na Mangueira. Já o piauiense Julio Artaniel Silva, de 28 anos, destaca no documentário a importância que os grupos de teatro de sua comunidade tiveram em sua formação profissional. "Foi na comunidade do Caju que me apresentaram pela primeira vez o que era ser ator e apresentar uma peça. Aqui, eu aprendi a ser quem eu sou", resume ele. Além de Felipe e Julio, participam do filme moradoras da Vila do João e do Morro do Fallet vindas dos estados do Ceará e Maranhão, respectivamente.

O documentário foi um dos vencedores do edital de Micro-projetos do Programa Favela Criativa 2015, voltado para o fomento de iniciativas culturais de periferias. Com 24 anos, Edilano também é migrante e relaciona sua história com as dos outros personagens, criando assim o fio condutor da narrativa. "O Rio de Janeiro é o reflexo dos filhos de todo o Brasil", afirma ele. “A cidade que me acolhe é a favela”, diz o cineasta.

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Crianças na Rua ( Filhos da Pátria/ Divulgação)

Durante as filmagens, o diretor enfrentou dificuldades. Na Vila do João, o tráfico não permitiu que houvesse gravações. A solução foi filmar a partir da casa de uma das personagens do filme. "Se eu não vou ter cenas na rua, dentro da casa eu tenho que imprimir que elas estão engaioladas", explica Edilano. A comunidade também é a única onde o documentário não será exibido.

O cineasta cearense veio há seis anos para o Rio estudar arte. Em 2013, fez um curso de câmera para produzir sua primeira obra, "Executa Arte", que trata da cultura de Manguinhos. A qualidade do trabalho lhe rendeu uma bolsa de estudos para fazer cinema na Facha. "O filme me deu o maior premio que é ingressar na Universidade", diz ele, que se interessa em observar como a cidade se relaciona com as comunidades e se constrói com a ajuda dos migrantes.

Dos personagens do documentário, Felipe e Julio são os únicos personagens que pensam em voltar para seus lugares de origem. O paraense tem vontade de produzir seu primeiro longa metragem na sua cidade. "Eu tenho esse propósito de levar essa bagagem carioca, por ter cruzado essa fronteira, e levar ela de volta para minha cidade", afirma ele. "O mesmo sentimento de levar algo enriquecedor para o meu bairro, é o que quero levar para o meu estado", explica Julio.

Confira abaixo o trailer do filme:

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