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Burburinho 1 / 10 / 2015| Anabela Paiva

Abrigo para a invenção

Novo espaço para residências artísticas, Casa Rio abre portas hoje. Reformada, antiga sede do Museu dos Teatros receberá criadores interessados em realizar projetos no Rio, abrigará eventos e tem espaço de trabalho compartilhado.

Artistas fluminenses, brasileiros e estrangeiros contam, a partir de hoje, com um espaço para se hospedar e desenvolver projetos de criação no Rio. Na rua São João Batista, área de muitas oficinas de automóveis em Botafogo, uma encantadora casa branca e amarela, com delicados gradis e flores plantadas à porta, abre as portas oficialmente hoje. Das 14h às 20h, a festa terá a participação da secretária de Estado de Cultura, Eva Doris Rosental, e lança uma convocação para que os interessados enviem projetos de uso dos espaços da residência, batizada de Casa Rio.

Já era tempo, constata a secretária. Há muito se lamenta, no meio artístico, a falta de espaços para abrigar os muitos criadores interessados em realizar projetos criativos no Rio. “A Casa é o primeiro de vários espaços de residência artística que pretendemos estabelecer no estado”, conta Eva Doris, que já tem em vista outra unidade, em Del Castilho.

O projeto começou a ser planejado em 2012, durante as Olimpíadas. Na época, a secretaria, em parceria com a People’s Palace Projects (PPP), realizou o projeto Rio Occupation London, que levou 30 artistas brasileiros para a capital britânica. Bailarinos, fotógrafos, músicos e artistas visuais ficaram abrigados no centro cultural Battersea Arts Centre. Adriana Rattes, então secretária de Cultura do Rio de Janeiro, visitou o lugar. “Ela ficou encantada de ver como os artistas trocavam entre si”, lembra o inglês Paul Heritage, fundador do PPP, que coordenou a ocupação londrina. De volta ao Brasil, Heritage passou a trabalhar com Eva Doris, na época à frente da Funarj, para a criação de um espaço para residências artísticas no Rio.

Para abrir o novo espaço, foi desativado o pouco frequentado Museu dos Teatros, cujo acervo, diz a secretária, na maioria se compunha de arquivos do Teatro Municipal. “O acervo foi digitalizado e devolvido ao Teatro”, explicou ela. A casa entrou em reforma geral. Terminada a obra, foi estabelecida uma parceria com o British Council para a gestão do imóvel, com Paul Heritage como titular, por um mandato de cinco anos.

Desde 1991 entre Rio e Londres, o inglês se dedica a estabelecer pontes entre o Rio de Janeiro e o Reino Unido. Professor de teatro e performance de Queen Mary, Universidade de Londres, desde abril ele tem se dedicado a descobrir como fazer a casa funcionar. Onde secar tantas toalhas? Como será feito o café da manhã? Nestes meses, esteve preocupado em arrecadar recursos e doações para mobiliar o espaço. “O governo reformou a casa, mas precisamos de um plano de negócios para a sua manutenção. A ideia é garantir as despesas fixas e criar um fundo que possa apoiar a presença de artistas no Rio”, explica.

Ao todo, a casa tem cinco quartos (com várias camas cada um) e também conta com espaços de trabalho compartilhados, que poderão ser utilizados a preços camaradas. O primeiro artista hospedado foi o cineasta indígena Takumã Kuikuro. Heritage acompanhou as trocas entre o diretor e uma fotógrafa que também desenvolvia projeto no lugar. Um grupo do Festival Chico Dub está usando a casa para o lugar. O Sesi realiza lá oficinas de dramaturgia nas terças-feiras à noite.

O inglês pretende atrair tanto estrangeiros quando artistas do interior do Rio e acredita que a interação será um dos pontos fortes do lugar. “A casa não é um lugar bucólico. Quem vem para ela vem para encontrar o Rio. Precisamos de lugares de intercâmbio, onde as pessoas possam trocar e dialogar”, diz Heritage.

Interessados devem acompanhar as novidades na página do Facebook e poderão se inscrever através de um site que ainda vai entrar no ar — a seleção das iniciativas caberá a um conselho. A Casa Rio se estrutura aos poucos, explica Heritage. “Casa tem vida própria, fantasma, espírito e ritmo. Não é para impor, é para descobrir".

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