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Eleições 2016 30 / 09 / 2016| Saulo Pereira Guimarães

Câmara municipal ou clube do bolinha?

O número total de candidatos em Rio, São Gonçalo, Caxias, Nova Iguaçu e Niterói é mais que o dobro de candidatas. Entretanto, há mais eleitoras do que eleitores nas cinco cidades. Na conta que não fecha, quem sai no prejuízo é a representação feminina nas casas legislativas dos maiores colégios eleitorais da região metropolitana do Rio

Foto: Câmara Municipal de Niterói discute orçamento em novembro de 2015 (Ascom CMN/Facebook)

O endereço até muda, mas o cenário é o mesmo: muitos homens decidem, com a participação de poucas mulheres. A predominância masculina verificada hoje nas câmaras municipais deve continuar a existir nos próximos anos. Na eleição de domingo (02), o número de candidatos a vereador será mais que o dobro que o de candidatas nos cinco maiores municípios da região metropolitana do Rio.

"Com menos recursos e menos experiência, elas já saem em desvantagem"

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 2.642 homens e 1.150 mulheres vão disputar vagas nas câmaras municipais de Rio, São Gonçalo, Caxias, Nova Iguaçu e Niterói em 2016. Porém, quando se considera o universo de votantes, os papeis se invertem. São 3.267.181 homens e 3.890.722 mulheres. "Pior do que esses números é a posição que as mulheres ocupam na disputa. Com menos recursos e menos experiência, elas já saem em desvantagem", afirma Schuma Schumaher, pedagoga, coordenadora executiva da Rede de Desenvolvimento Humano (Redeh) e integrante do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFEMEA). Em 2010, o órgão colaborou na elaboração do Guia de Formação Política para Mulheres, do Governo Federal.

É bom dizer que a disparidade entre o número de candidatos e o de candidatas já foi maior no passado. Nos últimos anos, o TSE intensificou a fiscalização em relação ao cumprimento da lei 9.504, de 1997. Ela determina a presença de, pelo menos, 30% de candidatos de cada sexo em cada partido. Entretanto, a criação do mecanismo não resolveu o problema da participação feminina na política. "A cota virou teto", explica Luiz Augusto Campos, professor de Sociologia do Instituto de Estudos Sociais e Político da UERJ.

Por que isso acontece?

Na opinião de Luiz, os partidos têm um papel importante na desproporção entre os números de candidatos e candidatas. Afinal, são eles que decidem o rosto de quem aparecerá na urna. "Quanto mais importante e decisivo é o cargo, menor é o número de mulheres ou negros em que se pode votar", diz o sociólogo, que publicou recentemente um estudo sobre o tema. Além disso, há ainda outro problema. "Ter 30% de candidatas não significa que teremos plenários com 30% de vereadoras", lembra Jairo Nicolau, professor de Ciência Política do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ.

"Assuntos como a criação de creches deixam de ser prioridade"

Fatores como o menor apoio por parte das legendas contribuem para reduzir a porcentagem de eleitas. "Uma mulher bem votada não necessariamente puxa outras consigo", destaca Luiz. Isso se reflete na composição dos plenários. Das cinco maiores cidades da região metropolitana do Rio, Caxias é aquela com o maior percentual de vereadoras. São 4 de 29, que representam 14% do total. Na capital, elas representam apenas 12% do quórum de 51 pessoas. Iza Guerreira (PMDB) e Giane Silveira (PRP) são as únicas mulheres nas câmaras de São Gonçalo e Nova Iguaçu, respectivamente. Ambas disputam a reeleição no domingo. Em Niterói, são duas vereadoras e 20 vereadores.

Os especialistas acreditam que a baixa representação feminina se reflete no menor interesse do Legislativo por temas que afetam a vida da mulher. "Assuntos como a criação de creches deixam de ser prioridade", diz Luiz. Ele, Jairo e Schuma concordam que a mudança desse cenário passa pela conscientização dos eleitores e a criação de mecanismos eficientes para reduzir as desigualdades. "Devemos enfrentar o machismo que teima em dividir o mundo entre lugares de homens e mulheres", defende a pedagoga.

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