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Burburinho 3 / 06 / 2016| Laís Jannuzzi

Caminhos do mar

O grupo "Onde estão as baleias e golfinhos?" envolve a população fluminense no mapeamento das rotas de cetáceos no litoral da cidade do Rio de Janeiro. Fotos, vídeos e compartilhamento de notícias sobre o tema são compartilhados pelos mais de 4 mil membros da página on-line.

Onde estão as baleias e golfinhos que vivem e frequentam o litoral do Rio? Um grupo de moradores do Rio se dedica a informar. Os registros são feitos no grupo do Facebook, criado pela bióloga marinha Liliane Lodi. A página se propõe a receber fotografias e vídeos dos cetáceos com informações de local, hora, data e número de animais em toda a região costeira da cidade do Rio de Janeiro e Niterói. "Optei pela rede social porque o acesso fácil é uma grande vantagem. Se fossem eventos presenciais, pouquíssima gente iria comparecer. Conciliar as agendas de milhares de pessoas é impossível", explica a idealizadora.

O grupo é uma iniciativa do Instituto Mar Adentro, uma associação civil sem fins lucrativos, e faz parte do Projeto Ilhas do Rio(PIR). O PIR realiza pesquisas científicas sobre fauna e flora marinha e terrestre e desenvolve ações para promover a aproximação entre sociedade e ciência.

Liliane é uma das que defende uma parceria científica como o cidadão comum: “Não posso estar no mar todos os dias, o custo é alto para estabelecer essa rotina. Então buscamos no carioca, e na forte relação que ele tem com o mar, uma contribuição necessária para o mapeamento”. O grupo foi criado em 2013 e já contribuiu com 152 avistagens dos mamíferos (até maio deste ano). "Essa quantidade de registros jamais seria alcançada apenas pelos pesquisadores, e em áreas tão distantes entre si", avalia. Além de aumentar os números, o alcance geográfico dos registros também foi ampliado.

A economista Calu Blyth, 55 anos, é uma dos 4.249 participantes do “Onde estão as baleias e golfinhos?”. Ela sempre carrega sua máquina fotográfica quando a família sai para velejar. Ao fazer o registro de golfinhos nas Cagarras, ouviu de uma velejadora amiga da filha a recomendação de que avisasse o PIR. “Passei a deixar algum registro, quando encontro algo interessante”, comenta.

Adepto do mergulho no seu tempo livre, outro cientista cidadão é o paulista Gil Ricardo, de 33 anos. Mesmo morando em outro estado, o eletricista tem participação constante nas postagens: “Eu atuo como divulgador científico no grupo, sempre busco informações interessantes para postar e conversar com outros participantes”. Atualmente é integrante do projeto Megafauna Marinha Do Brasil,onde realiza registros da raias mantas no litoral de São Paulo.

Além de contribuírem com dados sobre os hábitos dos animais, os participantes também postam notícias e estudos relacionados ao tema. “Como não temos avistagens todos os dias, procuramos divulgar material científico de qualidade. Assim vamos nos educando sobre o assunto”, explica Liliane. “Pessoas me procuram e falam que a partir da página sabem agir quando um cetáceo aparece”, conta a pesquisadora. “O Ilhas do Rio é muito recente, sabemos mais sobre a biodiversidade em Fernando de Noronha do que na nossa própria cidade. O grupo é uma maneira de melhorar isso”, explica.

O projeto chama também atenção para a preservação do Monumento Natural das Ilhas Cagarras (MoNa Cagarras), uma unidade de conservação criada em 2010 pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A unidade é formada pelas ilhas Cagarras, Palmas, Comprida e Redonda, mais as ilhotas Filhote da Cagarras e Filhote da Redonda. O pequeno arquipélago contém corais e a vegetação remanescente da mata alântica e recebe inúmeras colônias de aves migratórias e cetáceos.

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