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Qualicidades 1 / 07 / 2016| Anabela Paiva

Cidades e cidadãos inteligentes

Representantes do MIT, ITS e da Cisco falam no seminário Qualicidades sobre inovações no Rio de Janeiro e sobre a promessa de ter cidades mais justas e eficientes através da tecnologia. O maior desafio, entretanto, é obter acionar a capacidade de processamento e comunicação dos cidadãos em benefício da metrópole.

Da esquerda para direita, Jesus, do MIT; Fabro, do ITS e Gabriel, da Cisco (foto de André Redlich)

5.000.000.000 gigabytes. Essa é a quantidade de dados produzida a cada 48 horas no mundo. A informação, dada pelo pesquisador Jesus Ricardo Alvarez Felix, do Senseable City Lab, da área de Planejamento Urbano do Massachussets Institute of Technology (MIT), só não impressiona mais do que saber que esse tsunami de dados ainda vai aumentar muito. Segundo ele, no ano 2020 haverá no mundo 50 bilhões de objetos conectados à internet. Qual será o impacto dessa colossal produção de informações? Como a disponibilidade de dados vem mundando as cidades?

Para Felix, a tecnologia dá ao ser humano a “ fantástica oportunidade de repensar como construímos o espaço urbano e político”. “Esperamos que a própria natureza do planejamento urbano mude para aproveitar a tecnologia para que as sociedades possam projetar essa reinvenção”. O desafio, ele explica, é encontrar significado nos hexabytes de informação e torna-los úteis para pensar as cidades. Como exemplo, ele citou um projeto desenvolvido pelo MIT, intitulado Trash Track. O projeto reuniu voluntários de Seattle, no estado de Washington, que ajudaram a instalar 3 mil sensores em unidades de lixo doméstico – desde uma casca de banana até cartuchos de impressoras. Os sensores permitiram mapear os caminhos de descarte e reutilização do lixo. “Dois meses depois, havia itens que continuavam a viajar. Houve pilhas que chegaram até o México; uma foi para Chicago e voltou”, lembra.

Outros projetos do Laboratório envolvem estudos de transporte compartilhado e a coleta de amostras de esgoto para perceber diferenças entre os usos dos territórios de uma mesa metrópole. “Se a amostra tem muitos resíduos de heroína, é razoável imaginar que se possa instalar um centro de tratamento de adição no local”, comentou Felix.

Mas instalar sensores é só parte da história, comentou o palestrante seguinte, Fabro Steibel, diretor-executivo do Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS). “Podemos fazer a cidade que queremos com os dados que queremos. Essa é a promessa. A questão é saber o que a gente quer da cidade”. Fabro defendeu que as estruturas de gestão inteligente podem ser muito mais eficientes se envolverem as pessoas na construção dos dados e no uso deles para pensar a gestão. “Só teremos cidades inteligentes se tivermos cidadãos inteligentes”, disse.

Fabro apresentou projetos que utilizaram a inteligência coletiva para a construção de projetos significativos. A Fiat convidou internautas a colaborar na produção do projeto de um carro, o Mio. Em Curitiba, a prefeitura disponibilizou um pequeno terreno e coletivos locais de cicilistas construíram uma Praça de Bolso, local simbólico para a articulação dos que vivem o esporte. “As cidades já são inteligentes. Já oferecem altos níveis de produtividade e raciocínio lógico. O desafio é pensar a tecnologia para que as pessoas possam falar com o estado e contribuir para a gestão”. Não por acaso, o ITS acaba de ganhar o Desafio de Impacto Social Google com o projeto de uma plataforma para que cidadãos possam propor leis por iniciativa popular.

Maravilha inteligente

Um espaço internet wi-fi livre de 100 mil metros quadrados vai entrar em funcionamento na região da Praça Mauá e do Porto Maravilha a tempo dos jogos olímpicos. A novidade foi uma das relatadas por Gabriel Bello Barros, gerente de Parcerias da Cisco Systems do Rio de Janeiro, na mesa sobre Cidades Inteligentes do seminário Qualicidades. A rede vai também servir a agentes públicos, como guardas municipais.

Gabriel contou ainda que a Cisco apoiou o desenvolvimento por novas empresas de tecnologia de cinco aplicativos de inovação urbana, desenvolvidos para aumentar a qualidade de cariocas e visitantes: uma plataforma social de alertas de segurança; o audioalerta, uma solução de vigilância baseada no monitoramento de sons incomuns: o netsensors, que monitora bueiros para fins de manutenção; o livrit, um aplicativo de mobilidade que traça rotas para quem tem dificuldades de acessibilidade; e o viibus, um sistema de pontos de ônibus para deficientes visuais.

Outras novidades estão em curso, como naves do conhecimento e a criação de um laboratório de soluções urbanas no Museu do Amanhã. “A tecnologia não é um fim, é um meio”, disse.

Veja aqui a apresentação de Fabro Steibel

Veja a apresentação de Jesus Felix aqui

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