10 Perguntas

  • Compartilhe:
10 Perguntas 30 / 05 / 2016| Saulo Pereira Guimarães

Conselho da Juventude convida jovens a pensar políticas públicas

Inserir o jovem na discussão sobre políticas públicas. Essa é a ideia do Conselho da Juventude da Cidade, criado pela prefeitura do Rio em outubro do ano passado. Desde então, o grupo de 100 pessoas se reúne duas vezes ao mês para discutir os planos do município para o futuro e suas ações no presente, entre outras tarefas. Tudo isso de modo transparente e aberto a críticas, num processo que já começa a gerar resultados. Conversamos sobre a iniciativa com Rafaela Marques, coordenadora do projeto e integrante do Lab.Rio, órgão municipal focado em promover a participação do cidadão na gestão da cidade. Veja a seguir alguns dos melhores momentos do bate-papo:

Foto: Membros do conselho no 5º encontro do grupo, em dezembro (Lab.Rio/Facebook)

  1. O que é o Conselho da Juventude da Cidade?O Conselho da Juventude da Cidade é um projeto do Lab.Rio criado com base em duas necessidades. A primeira é a de uma instância participativa para que a juventude discuta política pública em geral e não apenas o que se refere ao jovem. A segunda é a de um contraponto ao Conselho da Cidade, que é formado apenas por membros convidados com posição destacada na sociedade. O Conselho da Juventude é formado por jovens entre 14 e 29 anos que discutem questões relacionadas ao futuro da cidade e foram escolhidos por meio de um processo aberto.
  2. Como foi esse processo?O processo de escolha dos membros teve duas etapas. A primeira foi uma votação on-line de propostas para a cidade enviadas em vídeo pelos jovens interessados em participar da iniciativa. A segunda foi a avaliação das propostas mais votadas por órgãos da prefeitura e outras 25 instituições convidadas. A formação do conselho se guiou pelos princípios da inclusão e da representatividade. Sendo assim, o grupo de selecionados conta com representantes das cinco áreas programáticas (APs) da cidade e reflete os números verificados pelo último censo em termos de gênero. Houve também a preocupação com as questões de raça e sexualidade e com a representação igual de todas as faixas etárias entre 14 e 29. A partir disso, os 100 membros foram selecionados para fazer parte do grupo entre outubro de 2015 e outubro de 2016. Após algumas baixas por desistência e por número de faltas aos encontros acima do permitido, o conselho tem hoje 70 membros muitíssimo engajados.
  3. Na prática, como o conselho funciona?O conselho se reúne duas vezes ao mês, o que é uma frequência alta. Para se ter uma ideia, o Conselho da Cidade se reúne uma vez a cada três meses. Nunca realizamos três reuniões seguidas na mesma AP. Esta é uma forma de fazer o conselho percorrer as diferentes partes da cidade. Antes de cada encontro, os membros podem encaminhar demandas para avaliação, que podem ser acolhidas ou não. Todas as decisões são tomadas por meio de votação e tudo é muito livre. São os próprios integrantes que escolhem de quais grupos de trabalho querem participar, por exemplo. As discussões são muito saudáveis e, embora as divergências existam, há sempre respeito mútuo. O conselho não formula políticas públicas, mas contribui com a análise e crítica delas. Esse trabalho é repassado às áreas técnicas do município.
  4. Há regras que regulem o funcionamento do conselho?Passamos cinco encontros discutindo o regimento do conselho. Cada item do texto foi debatido exaustivamente. Há, por exemplo, a obrigatoriedade de uma frequência mínima nos encontros. Quem falta precisa enviar uma justificativa dentro de cinco dias. Já na área de comunicação, ficou decidido que o grupo não teria um líder, mas uma comissão que falaria por ele. Aliás, a horizontalidade é um dos princípios do conselho. Todos têm o mesmo direito a voz. Os conselheiros decidem também de que eventos e palestras querem participar. Tudo isso é fruto de um trabalho demorado, mas interessante. O bom é que o próximo conselho já vai poder contar com isso pronto.
  5. O que o conselho já fez desde sua criação?Entre outubro e dezembro do ano passado, os membros formularam o regimento para o conselho, que foi aprovado por votação. A partir daí, teve início uma série de assembleias com o objetivo de analisar as propostas do plano estratégico da prefeitura para os próximos quatro anos, que foi lançado em março. Depois disso, o conselho se subdividiu em nove grupos de trabalho. Eles observaram mais detidamente os itens do plano ligados a saúde, educação, cultura, desenvolvimento social, desenvolvimento econômico, gestão e finanças públicas, habitação e urbanização, meio ambiente e sustentabilidade e mobilidade. Esse trabalho está se encerrando agora e, nos próximos seis meses, o conselho vai avaliar o cumprimento do plano estratégico em vigência atualmente, que foi lançado em 2012. Para isso, os integrantes estão participando de reuniões com representantes do escritório de gestão de projetos da prefeitura e de áreas técnicas, nas quais eles conferem se os indicadores previstos se concretizaram ou não. O grande mérito do conselho é poder exercer essa crítica em relação à atuação da prefeitura. No último dia 20, por exemplo, nós do Lab.Rio organizamos um encontro dos conselheiros com membros independentes da sociedade civil que monitoram a prefeitura, mas não participamos.
  6. Que benefícios a existência do conselho traz para a prefeitura?Acredito que a grande contribuição do conselho para dentro da prefeitura é somar essa vivência ao trabalho desenvolvido pelas áreas técnicas. É o jovem poder ver uma proposta e dizer "mas no meu bairro isso não é assim".
  7. E o que a participação no conselho traz de positivo para os membros?Há dois benefícios claros. Um é poder entender melhor o funcionamento da máquina pública. O outro é estar em contato com pessoas com experiências totalmente diferentes das suas. É o estudante da PUC que pode conversar com a moradora da Maré. Isso é muito legal. Fizemos uma pesquisa com os membros e essa troca foi apontada como o aspecto mais importante da experiência do conselho.
  8. Há outras experiências que tenham inspirado a criação do conselho?A única experiência parecida de que tenho notícia é de Paris. Lá, existe um conselho nesse mesmo molde, mas um pouco diferente. A escolha dos membros, por exemplo, envolve uma pré-seleção dos elegíveis por parte da prefeitura antes da votação na internet. Mas os princípios da horizontalidade e de pensar políticas públicas em várias áreas também existem por lá.
  9. Quais são os planos para o futuro em relação ao conselho?Em outubro, o conselho deve organizar um seminário para discutir os resultados da experiência. Nosso objetivo até lá é selecionar uma nova leva de conselheiros que possam dar continuidade ao projeto.
  10. E quais são os próximos passos do Lab.Rio?Antes do fim do ano, pretendemos lançar uma nova edição do Ágora Rio, um desafio no qual os cidadãos enviam propostas para a cidade relacionadas a um determinado tema. O Mapeando, que é uma plataforma de mobilidade urbana nossa, continua no ar. E, até julho, a gente deve também realizar mais uma edição do Imersão, um projeto cuja ideia é colocar um grupo de pessoas em contato direto com a prefeitura e suas políticas públicas por três dias.
  • Compartilhe:

Convidado

Rafaela Marques

Coordenadora do Conselho da Juventude da Cidade do Rio de Janeiro

Mais 10 Perguntas

André Buffara: O Uber aos olhos da lei

Advogado analisa aplicativo do ponto de vista do direito econômico

Emílio Domingos: “A cadeira do barbeiro é um divã”

Diretor de A Batalha do Passinho, Emílio Domingos fala sobre Deixa na Régua, seu novo filme que aborda universo das barbearias cariocas

Clarisse Linke: Mapa da juventude em movimento

Para Clarisse Linke, diretora do ITDP Brasil, transporte de alto custo e má qualidade é um fator de exclusão dos jovens nas cidades brasileiras

Ouça as vozes do Rio

Preencha o formulário abaixo para assinar o boletim do VozeRio

Mais sobre participação

Grupo no Facebook promove ciência cidadã sobre fauna marinha no Rio

"A crise pode aumentar o cuidado e o interesse pelo voto", afirma cientista político

Para o professor da UFRJ Jairo Nicolau, crise vivida pelo Brasil pode atrair mais atenção da juventude para a política eleitoral

Fórum Rio discute a cidade pós-Olimpíadas este sábado na Pavuna

No evento, também será lançada a plataforma on-line AgendaRio.org, que servirá de repositório das ideias para melhorar a cidade e a região metropolitana

Onde está junho? Manifestantes de 2013 olham para as ruas hoje

Da atuação da polícia à desesperança: como a geração de 2013 enxerga as mobilizações de 2016

Mais sobre juventude

Para Clarisse Linke, diretora do ITDP Brasil, transporte de alto custo e má qualidade é um fator de exclusão dos jovens nas cidades brasileiras

No último dia para obter o título de eleitor, jovens cariocas demonstram apatia

Estudantes na porta 163ª Zona Eleitoral do Rio, no Catete, dizem não ter a menor ideia em quem votar nas próximas eleições e que só tiram o título "por obrigação"

Fora das salas, aula prática de política

As 24 horas iniciais do primeiro colégio ocupado por estudantes no Rio, na Ilha do Governador

"Será que a pichação é apenas uma atitude irresponsável?"

Gustavo Coelho é professor da Uerj e estuda pichação, bate-bolas e outros fenômenos cariocas sob o olhar da estética

Mais sobre Rio de Janeiro

Curso de idiomas ajuda refugiados a tentar um recomeço na região metropolitana do Rio

Que tal aterrar a Lagoa?

Livro reúne soluções mirabolantes já propostas para os problemas de um dos principais cartões-postais do Rio

Biblioteca Parque amanhece fechada no Centro

De acordo com Governo do Estado, fechamento é excepcional e prefeitura deve manter espaço aberto em 2017

De mulher para mulher: ocupação feminista no Rio

Rede Agora Juntas encerra neste sábado (17), na Glória, experiência que debateu direitos das mulheres

Mais sobre Cidadania

Pensador americano é fundador de ONG que promove exposição sobre o tema no Rio

Conheça os projetos cariocas que participarão da Bienal de Veneza deste ano

Nove dos quinze projetos brasileiros selecionados para o Pavilhão do Brasil na Bienal de Veneza são do Rio; iniciativas selecionadas vão de Madureira a Ipanema

Vozes do Leste à Zona Oeste

Perguntamos a alguns participantes do Fórum Rio, que aconteceu este sábado na Pavuna, como eles imaginam o Rio e seus bairros após as Olimpíadas

Planejando o Rio pós-Olimpíadas

Thereza Lobo, coordenadora da ONG Rio Como Vamos, discute as propostas e as fragilidades do plano estratégico da cidade para 2017-2020, lançado pela Prefeitura no início de março

Mais sobre políticas públicas

Possibilidade de região ser invadida por prédios assusta quem vive em um dos últimos recantos verdes da cidade

Planejamento para a RMRJ prevê concessões de esgoto

Grupo Executivo de Gestão Metropolitana divulga em junho proposta unificada de saneamento básico para 21 municípios

Alerj reluta em decidir sobre integração metropolitana

Após discussão, deputados não chegam a conclusão em relação à proposta do Governo do Estado; críticas vão da perda de autonomia das prefeituras à falta de participação da sociedade civil

"Precisamos mudar o CEP do emprego"

Como diminuir as desigualdades gritantes na Região Metropolitana do Rio? No OsteRio desta terça-feira (29/3), um caminho ficou claro: mais centros e oportunidades, menos distâncias e deslocamentos
Realização:
Iets
Patrocínio:
Universeg
Apoio:
Biblioteca Parque Estadual Biblioteca Parque Estadual
 
Licença Creative Commons
Desenvolvido em SPIP pela Calepino