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Burburinho 8 / 07 / 2015| Julia Meneses

Esquecido pelos cariocas, Passeio Público volta à programação cultural da cidade

Importante ponto de encontro da nobreza carioca no século XIX, o parque público do Centro recebe neste sábado evento cultural promovido por coletivos independentes. A intenção é incentivar a reocupação do local.

Já passou por algum lugar do Rio incrível, mas pouco utilizado? Dá pena, certo? O Passeio Público, um desses lugares esquecidos, vai receber uma ocupação multicultural neste sábado (11/7). O evento "O Passeio é público" foi desenvolvido de maneira colaborativa por produtores independentes e coletivos culturais e conta com uma programação bem diversificada: shows, teatro, debates, saraus de poesia e e até uma aula aberta sobre a história do parque.

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(Foto: Divulgação)

A ideia é que a movimentação proporcionada pelo evento colabore para o início de uma reapropriação do Passeio Público. A iniciativa partiu do coletivo SerHurbano, que há quase cinco anos aposta em ocupações e intervenções pela cidade.

Para Maycon Almeida, um dos integrantes do coletivo, o evento deste sábado pode funcionar como uma grande vitrine que "sirva de inspiração para eventos menores e se transforme num legado para que as pessoas voltem a utilizar esse espaço tão importante para o Rio".

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Reunião dos produtores no Passeio Público (foto: Fernando Botafogo)

Construído no século XVIII, na rua do Passeio — principal via de ligação entre a Lapa e a Cinelândia —, com base em projeto de Mestre Valentim, o lugar foi o primeiro parque público do país, influenciado pela arquitetura européia dos grandes jardins públicos.

Um dos grandes pontos de encontro da população carioca nos séculos XVIII e XIX, hoje, após 230 anos de existência, o Passeio "deixou de fazer parte do mapa cultural da cidade e hoje se tornou um espaço ocioso e sem nenhum tipo de atividade em sua programação", diz o texto de divulgação do evento.

"Enquanto as pessoas estão ali participando, ao mesmo tempo, estão reivindicando os seus direitos, como o de ir e vir", explica Maycon, questionando as sensações de insegurança e medo que a população desenvolve em relação às ruas. Por isso, um dos objetivos é também a integração com a população em situação de rua do local. "As pessoas gostam, sim, de arte e de estar na rua. Acredito que elas possam sair dali com a mesma intenção de repetir o movimento onde moram", defende o produtor.

A programação do evento inclui, aliás, um debate sobre o direito à cidade e a democratização do espaço urbano, além de outro sobre a redução da maioridade penal. Também haverá shows de bandas independentes e coletivos de DJs, apresentações de teatro, saraus de poesia e atividades infantis. A parte ligada à saúde e ao bem-estar oferecerá aula de ioga, doação de roupas e livros e oficina de produção de hortas.

Sem patrocínio, o evento ainda conta com apoio e realização de outros produtores independentes e coletivos: Faz na Praça, Sarau do Escritório, Quermesse, Perto do Leão Etíope do Méier, Ocupa Lapa, etnohaus, Fábrica Nômade Sonora, Rádio Libertá, Circo Voador, Subsoloo e Trama.

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O Passeio Público por volta de 1860, quando ainda era frequentado pela nobreza carioca (foto: Revert Henrique Klumb/Brasiliana Fotográfica)

Serviço
O PASSEIO É PÚBLICO
Onde: Passeio Público – Rua do Passeio — Centro
Quando: sábado, 11 de julho
Horário: das 10h às 22h
Classificação livre

Obs: O evento estava previsto para o dia 4 de julho, mas foi adiado. Por isso, o evento na página do Facebook encontra-se com a descrição "adiado — 11 de julho".

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