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Burburinho 19 / 11 / 2015| Daniel Gullino

Evento vai ocupar com grafite beco no Alemão onde Eduardo foi morto

Iniciativa organizada pelo coletivo Papo Reto acontecerá no sábado (21/11), às 11h. Grupo contesta a versão de que o garoto foi morto em legítima defesa.

(Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

Substituir com tinta o que foi manchado de sangue. Essa é a ideia do Coletivo Papo Reto, que está convocando artistas para grafitar, neste sábado (21/11), o local onde o menino Eduardo de Jesus, 10 anos, foi morto, no Complexo do Alemão.

Chamado de "Vida no beco do menino Eduardo", o evento pretende reunir também moradores e outros artistas, como músicos e poetas, para ocupar o beco. Além disso, o local será batizado de "Beco do Menino Eduardo". Quem quiser participar pode se inscrever em um formulário on-line.

“É uma ideia que eu tinha desde que o assassinato aconteceu”, afirma Thainã de Medeiros, idealizador da ação. “Só estar presente naquele local é importante. A gente acredita muito na ocupação de rua”, afirma. Segundo ele, a ideia de que deve haver mais vida nos becos da favela é compartilhada por muitos moradores.

“Isso não vai trazer paz, mas é uma mensagem muito clara do que a gente pensa como política pública. Queremos uma comunidade pacífica, cheia de arte”, destaca Thainã, que, além de integrante do Papo Reto, trabalha na rede de mobilizações Meu Rio, que está ajudando na organização evento.

A família de Eduardo não confirmou presença — Teresinha, mãe do menino, está na Europa, em um evento da Anistia Internacional —, mas apoia a ação.

Inquérito contestado

Ontem, o grupo recebeu uma boa notícia: o Ministério Público contestou o inquérito da Divisão de Homicídios que inocentou os policias envolvidos no caso, e denunciou um deles por homicídio com dolo eventual (quando se assume o risco de matar).

O relatório havia concluído que o policial agiu em legítima defesa — pois estaria ocorrendo um tiroteio no local — e que a criança estava na linha de tiro. Os moradores, por outro lado, garantem que não houve troca de tiros naquele momento e afirmam que não encontraram marcas de bala em nenhuma casa das proximidades.

Thainã acrescenta que, mesmo se a versão do tiroteio estiver correta, o policial deveria ser punido por ter errado o tiro, já que estava a apenas cinco metros de distância de Eduardo. “Se o laudo é verdadeiro, ele é muito ruim de mira, no mínimo”, ironiza.


Serviço

O que: "Vida no beco do menino Eduardo"
Quando: Sábado (dia 21/11)
Onde: Beco no Areal, no Complexo do Alemão. Sinalizações para o local serão distribuídas a partir da Grota.

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