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Burburinho 6 / 11 / 2015| Daniel Gullino

Existe amor no RJ

Com seu Dicionário Amoroso do Rio de Janeiro, o jornalista Alvaro Costa e Silva revela uma cidade sentimental e pitoresca em 48 verbetes — que vão de "onça" e "trem" a "Zona" e "rua Uranos". O livro será lançado neste sábado (7/11), na livraria Folha Seca, no Centro.

Em uma loja de pesca na rua Uranos, na Zona Norte do Rio, o jornalista Alvaro Costa e Silva encontrou um personagem improvável: Moacir Barbosa Nascimento, goleiro da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1950, que precisou trabalhar como vendedor depois de ser considerado o responsável pela emblemática derrota para o Uruguai.

Moacir "não reclamou da vida. Serviu-me um copo de pinga e esquentou uma marmita no pequeno fogareiro. Impressionou-me a agilidade com que se baixava e levantava, movendo as pernas, sem apoiar as mãos no chão", conta o jornalista.

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Para Marechal, ir ao Jockey Club é um dos melhores passeios na cidade

O encontro foi um dos motivos que levou Alvaro, mais conhecido como Marechal, a incluir a rua — que cruza os bairros de Bonsucesso, Ramos e Olaria — no Dicionário Amoroso do Rio de Janeiro, seu primeiro livro, que será lançado neste sábado (dia 7), na livraria Folha Seca.

De Aldir Blanc a Zona, os 48 verbetes do livro combinam fatos históricos com lembranças pessoais do autor, e incluem expressões ("Ô Sorte"), gêneros literários (Crônica), bairros (Humaitá), igrejas (Outeiro da Glória) e comidas (Feijoada). Para cada letra do alfabeto, o autor dedicou de um a três itens.

A publicação faz parte de uma série da editora Casarão do Verbo, que engloba as 12 cidades-sede da Copa do Mundo. Os volumes de Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Recife e Salvador já foram publicados.

O livro foge de alguns clichês sobre o Rio, como o Pão de Açúcar ou Cristo Redentor, mas homenageia outros pontos famosos, como o Arpoador e o Maracanã.

Também fora incluídos verbetes que fogem do senso comum: a palavra “onça”, por exemplo, é destacada por dar origens a diversas expressões, como “amigo da onça” e “no tempo do Onça”. Já no verbete "Trem", Marechal afirma que saber as estações ferroviárias é uma espécie de símbolo da carioquice.

O autor afirma que as personalidades homenageadas, como o sambista Noel Rosa e o escritor Antonio Callado, “fizeram a cidade como ela é hoje”. “Alguns desses personagens são o melhor que o Rio tem”, argumenta.

Mas mesmo quem é de fora, segundo Marechal, não tem dificuldade em se adaptar. “Você se aclimata aqui muito rapidamente. A cidade contagia você”, avalia.

O autor reconhece que há problemas na cidade, mas afirma que o formato do livro não permitiu mencionar aspectos negativos. “Como é um dicionário amoroso, eu não poderia falar mal”, brinca. Há algumas críticas indiretas, contudo: o novo Maracanã, "imposto pela Fifa", é chamado ironicamente de "Ex-Maraca ou New Maracan", por exemplo.

Colaboradores elaboraram listas

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O autor destaca as heranças portuguesas na gastronomia, como bolinho de bacalhau, azeitona e torresmo

O trabalho com o ilustrador da obra, Aliedo Kammar, foi facilitado porque a dupla trabalhou em conjunto no Jornal do Brasil. O jornalista afirma que deu liberdade total ao desenhista: “Não pedi nada, nem expliquei."

Kammal diz que foi apenas um “reinterpretador visual”. “Tenho uma óticas às vezes meramente fotográfica, com algumas intervenções que extrapolam a realidade”, explica.

O livro conta com a participação de outros autores, que contribuíram com listas sobre determinados temas. O escritor Ruy Castro, por exemplo, escolheu seis sebos que considera “céus na terra”. O historiador Luiz Antonio Simas, por sua vez, selecionou seis sambas-enredos que falam sobre o Rio de Janeiro.

Alberto Mussa, também escritor, listou cinco romances sobre a cidade, enquanto o poeta Alexei Bueno escreveu sobre seis das principais estátuas do Rio. Por fim, o sambista Gabriel da Muda revelou seus cinco representantes favoritos da “baixa gastronomia” carioca.


Serviço

O que: Lançamento do livro Dicionário Amoroso do Rio de Janeiro
Onde: Livraria Folha Seca (Rua do Ouvidor, 37, Centro)
Quando: Sábado, 7 de novembro, às 13h
Entrada Franca

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