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Inovação cidadã 25 / 08 / 2015| Isabela Fraga

Hackcidadania carioca

Com inscrições abertas para colaboradores, #LABiCBR acontecerá de 15 a 29 de novembro no Rio, com 12 projetos que buscam estimular a autonomia dos cidadãos. Entre as propostas selecionadas, há desde o acompanhamento de políticos até o monitoramento comunitário de focos de dengue.

Entre 15 e 29 de novembro, o Rio abrigará uma grande oficina de inovação cidadã e tecnologia: o Laboratório Ibero-americano de Inovação Cidadã (#LABiCBR). Nele, 12 projetos darão origem a ferramentas virtuais e protótipos capazes de realizar atividades que vão desde o monitoramento comunitário de focos de dengue até um acompanhamento dos cargos dos políticos brasileiros.

Iniciativa da Secretaria-Geral Ibero-Americana (SEGIB) e do Ministério da Cultura brasileiro, o #LABiCBR recebeu mais de 170 inscrições de toda a América Latina e Espanha. Após a divulgação dos selecionados na última sexta-feira (21/8), abriu-se ontem a chamada para 108 colaboradores que se interessarem em participar. Todos os projetos utilizarão tecnologias de software livres e abertas e se encaixam em uma das seguintes áreas: produção cultural e tecnologias sociais; espaço público, cidades, gestão do comum e infraestruturas abertas; ecologia e saúde; e dados abertos.

O objetivo do #LABiCBR é estimular a participação dos cidadãos na vida urbana "de baixo para cima", nas palavras de Pablo Pascuale, coordenador do Ciudadania 2.0 e um dos curadores da iniciativa. "Nós achamos que um verdadeiro projeto de participação cidadã precisa ser participativo desde o começo, não pode vir de cima para baixo. Esse é o desafio de muitos projetos da área hoje", explica Pablo.

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O primeiro LABiC, em Veracruz, ano passado: 10 projetos desenvolvidos (foto: Ciudadania 2.0)

Os projetos serão desenvolvidos em um espaço comum, ainda a ser divulgado, onde também serão realizadas oficinas, palestras e seminários. O LABiCBR é o segundo evento do tipo realizado pelo Laboratório Ibero-americano de Inovação Cidadã. O primeiro aconteceu em Veracruz, no México, em 2014, onde foram montados protótipos de dez projetos.

"Cargografias" de políticos brasileiros
Segundo Pablo, quase a metade das ideias inscritas era brasileira. Mas também há propostas de países como Colômbia, Espanha, México e Argentina. Este último é o caso do Cargografías, plataforma que permite ao eleitor acompanhar o trajeto dos candidatos que concorrem a um cargo público desde seu primeiro movimento político até o mais recente.

A iniciativa começou em 2011, na Argentina, quando o designer Andrés Snitcofsky se lembrou do slogan que tomou as ruas dez anos antes, em meio a uma grave crise política que levou ao impeachment do então presidente Fernando de la Rúa: "Que se vayan todos!" — "Fora todos os políticos", em tradução livre. "A pergunta que me surgiu dez anos depois, e que impulsionou a ideia, foi ’será que realmente todos foram embora?’", conta Andrés.

A primeira versão pública do Cartografías só ficou pronta em 2013. "Por incrível que pareça, é difícil obter os dados relativos aos cargos ocupados pelos políticos ao longo do tempo, pois partem de fontes pouco confiáveis, como a imprensa, a memória coletiva e/ou a Wikipédia", explica o designer. O Cartografías mostra uma linha do tempo com a trajetória política de cada candidato, com todos os cargos já ocupados pelo nome em questão.

Durante o LABiCBR, a ideia de Andrés é coletar dados sobre os políticos brasileiros e fazer um Cargografías tupiniquim. "Depois de participarmos de experiências de desenvolvimento coletivo em muitos países da América Latia, vimos que o Brasil, o grande protagonista da região, não está muito presente ou conectado", analisa. "Queremos ampliar esses laços e aprender, criar e crescer junto com a importantíssima comunidade de hacktivismo brasileiro."

Monitoramento comunitário de focos de dengue
Outro projeto selecionado para o LABiCBR envolve o monitoramento comunitário de focos de dengue. A ideia do biólogo Odair Scatolini é desenvolver um aplicativo para celular, um software e uma plataforma virtual na qual qualquer um possa acompanhar focos do mosquito Aedes aegypti — vetor também de outras doenças, como febre zika e febre amarela.

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Exemplo de ovitrampa (foto: Wikipédia)

Atualmente, o monitoramento é feito por profissionais de saúde, que instalam equipamentos chamados ovitrampasem determinados locais de risco e voltam periodicamente para acompanhar a proliferação do mosquito. Ovitrampas são armadilhas que simulam o ambiente ideal para que as fêmeas botem ovos: recipientes pretos cheios d’água, no qual se coloca uma palheta de madeira e uma substância larvicida.

"A maior dificuldade hoje é a necessidade de que uma pessoa especializada volte ao local onde a ovitrampa foi instalada e, com uma lupa, faça a contagem dos ovos", explica Odair. Por isso, em seu projeto, ele pretende desenvolver um aplicativo para celular, pelo qual qualquer pessoa pode tirar uma foto da palheta. O aplicativo então enviaria a imagem a um servidor, no qual um software faria a contagem automática dos ovos. Assim, o monitoramento poderá ser feito pela associação de moradores do bairro, por profissionais de saúde e até por indivíduos independentes. Os dados de cada ovitrampa serão disponibilizados em um mapa georreferenciado.

Hiperguardiões
A avaliação periódica do meio ambiente realizada pelos próprios cidadãos é também a proposta da gestora ambiental Maira Begalli, autora do projeto Hiperguardiões. Em novembro, Maira pretende montar o protótipo de uma estação de monitoramento de água e ar que será instalada em Riacho Grande, distrito de São Bernardo do Campo (SP). "Queremos que a própria população reproduza essa tecnologia em outras quatro estações. É uma forma de empoderamento", explica ela.

Os resumos dos outros projetos selecionados estão disponíveis no site do Ciudadania 2.0.

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