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Qualicidades 5 / 07 / 2016| Anabela Paiva

Luz sobre os desafios energéticos do século 21

O grande uso de energia e seu impacto sobre o meio ambiente é um dos desafios para o crescimento sustentável. Rio de Janeiro discute oferecer incentivos fiscais para quem adotar energias "limpas".

Foto: Plateia atenta acompanha exposição de Afonso Santos (André Redlich/SebraeRJ)

Como conciliar as exigências de consumo de energia impostas por uma população crescente com a necessária redução do uso de gás de efeito estufa e de danos ambientais? A mesa cinco do seminário Qualicidades reuniu Rodrigo Rosa, assessor especial do Gabinete do Prefeito do Rio de Janeiro e gerente do Programa de Desenvolvimento Sustentável , e o especialista Afonso Henriques Moreira dos Santos, professor da Universidade Federal de Itabubá, ex-Secretário Nacional de Energia e ex-diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica em torno desse tema. A mediação foi do Gerente de Soluções e Inovação do Sebrae/RJ, Ricardo Wargas.

Rodrigo Rosa centrou sua apresentação no papel das cidades como responsáveis pelo consumo – e desperdício – da energia. Segundo ele, edificações são responsáveis por 40% do consumo mundial de energia e por um terço das emissões de CO2. O crescimento econômico depende da energia e por isso, frisou, é importante investir em meios para garantir maior eficiência no uso dessa energia. “A tecnologia dos smart grids são a chave para a eficiência energética e para um desenvolvimento de baixo carbono”, explicou ele, referindo-se às redes inteligentes de energia, uma nova arquitetura de distribuição de energia elétrica, em que consumidores também podem ser fornecedores de energia produzida domesticamente, como por painéis de energia solar.

Os números apresentados por Rodrigo mostraram que ainda estamos longe dessa sustentabilidade: 76,3% do consumo é de energia não renovável. Os 23,7% de energia renovável são na maioria de origem hidrelétrica (16%). A energia eólica (3%), bioenergética (2%) e solar (1,2%) ainda têm alcance restrito. “A energia limpa está cada vez mais barata. Algumas estão muito competitivas em relação ao petróleo”, observou.

Cidades de todo o mundo estão estabelecendo metas ousadas de redução de combustíveis poluentes. Estocolmo pretende banir o carvão como combustível em 2050; Seul promete reduzir as emissões de CO2 em 40% em 2030; São Francisco quer dotar 100% dos prédios residenciais de fontes de energia renováveis em 2030.

E o Rio? Rodrigo Rosa contou que o Rio também estabeleceu algumas metas no seu processo de planejamento estratégico, o Visão 500. Algumas delas: dotar 60% dos pontos de iluminação pública de tecnologia LED; implementar uma certificação para edificações privadas e públicas e – essa ainda sob discussão – oferecer incentivos fiscais para a adoção de energia limpa em novas edificações.

Além disso, a Prefeitura está fazendo um levantamento do consumo de energia para descobrir os prédios que mais consomem energia na cidade. Já se sabe que, entre as edificações públicas, as escolas são as maiores consumidoras. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente está realizando um laboratório de soluções para redução de consumo em um pequeno número de unidades educacionais.

Eficácia ou eficiência

Com um estilo energético e brincalhão, Afonso Henriques iniciou sua palestra com uma provocação. “Eficiência energética é muito antigo. O desafio é a eficácia energética. Não é a eficiência produtiva, é a eficácia alocativa”. Ele continuou dizendo que a indústria da energia está usando muito pouco das opções de tecnologia hoje disponíveis. “Hidrelétrica é ultrapassado. Belo Monte foi a pior opção que poderia ser feita”, criticou.

Segundo Afonso, as cidades usam muito pouco as alternativas energéticas disponíveis, como biogás e solar. “Modernidade não é Belo Monte, não é térmica a gás. É usar o gás para gerar a energia onde eu preciso”. “Porque uma geladeira não vem com um equipamento para armazenar energia? Porque disseram para nós que a energia é barata. E é mentira. A energia é cara, inclusive do ponto de vista ambiental.

Ele citou um sistema instalado no Shopping Morumbi, que produz energia a partir de gás natural – e, ao mesmo tempo, aproveita os gases de exaustão para produção de vapor que gera água gelada para climatização.

A energia fotovoltaica (solar), inclusive doméstica, é outra opção que ele considera útil, especialmente para evitar quedas no sistema. “A tecnologia desmoronou de preço; baterias são usadas no exterior para garantir o sistema”. Ele fez críticas à legislação, que “engessa o sistema”, dificultando a implantação de unidades fotovoltaicas.

O engenheiro também criticou a adoção no Brasil de modelos de arquitetura baseados na adotada nos países frios. “Precisamos de soluções mais baratas, mais simples e sustentáveis”, destacou, apontando que, nas grandes cidades brasileiras, chega a 50% a demanda de energia para refrigeração. O uso intenso de equipamentos eletrônicos, como computadores, está colocando ainda mais demandas para o sistema.

Veja apresentação de Afonso Henriques aqui

Veja aqui apresentação de Rodrigo Rosa

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