Debates

  • Compartilhe:
Conversa na Biblioteca 11 / 06 / 2015| Julia Meneses

Moradores de rua: quem são eles e como ajudá-los?

Segundo debate da série ‘Conversas na Biblioteca’, na Biblioteca Parque Estadual, terá criadora do ‘Rio Invisível’ e subsecretário municipal de Proteção Social Especial

Foto: Cícero R. C. Omena (CC BY 2.0)

“Fico feliz que você tenha parado pra conversar. Nem todo mundo faz isso.” A frase de Carlos, 52 anos, é um dos depoimentos da página Rio Invisível, que publica no Facebook fotos e histórias de pessoas em situação de rua no Rio de Janeiro. Na próxima terça-feira, a nova edição do Conversas na Biblioteca, série realizada pelo site Vozerio, será sobre a realidade dessas pessoas, suas histórias, condições de vida e políticas públicas voltadas para elas.

A jornalista Yzadora Monteiro, uma das criadoras do Rio Invisível, e o subsecretário municipal de Proteção Social Especial, Rodrigo Abel, participarão do encontro “A rua e seus moradores: uma relação de in(visibilidade)?”, na próxima terça-feira, dia 16 de maio, na Biblioteca Parque Estadual.

Prestes a completar um ano de existência, o Rio Invisível já possui mais de 80 mil seguidores. Criada em setembro de 2014, a página no Facebook é alimentada por Yzadora e pelo publicitário Nelson Pinho, que andam pelas ruas do Rio conversando com pessoas que fazem da rua seu lar.

As histórias só são publicadas com a permissão dos entrevistados, que também autorizam o uso da imagem. O objetivo é dar voz e rosto a cada um, mostrando a diversidade de motivações, histórias de vida e percepções destes indivíduos hoje invisibilizados pelo estereótipo “morador de rua”.

As histórias e observações recolhidas por Yzadora ganharão contexto com a participação de Rodrigo Abel, subsecretário de Proteção Social Especial. A participação de Rodrigo incluirá comentários sobre a pesquisa “Análise do Censo da População em Situação de Rua na Cidade de Janeiro”, uma parceria entre a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social do Rio de Janeiro e o Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (IETS).

Apresentado em setembro de 2014, o censo identificou 5.472 pessoas em situação de rua e teve como objetivo entender as reais necessidades dessa população para a construção de políticas públicas mais eficientes, como explicou o secretário Adilson Pires na época.

Com os resultados, por exemplo, foi possível entender melhor as críticas feitas por moradores aos abrigos e sua preferência pela rua, considerada mais “acolhedora”. Outros dados apontam que mais da metade (55%) dos adultos em situação de rua tem entre 25 e 44 anos; 47% se declaram de cor parda e 43,2% possuem carteira de identidade.

Nos depoimentos do Rio Invisível, a dificuldade de retirar documentos é uma das principais reclamações dessas pessoas, já que a maioria não pode comprovar residência fixa. Já no censo, os motivos mais citados para estar na rua foram de ordem pessoal/biográfica, mencionados por 89,7% dos entrevistados. Entre estas razões estão: desilusões amorosas, perdas familiares, violência doméstica e abuso infantil, desemprego e alcoolismo.

Essas informações têm sido utilizadas pela secretaria para estabelecer metas de ampliação do número de vagas em abrigos, além do planejamento de ações e programas, como "Papo de rua", uma roda de conversa entre equipes da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SMDS) e a população em situação de rua; e o Casa Viva, voltado aos jovens dependentes de crack.

O ciclo ’Conversas na Biblioteca’ é realizado pelo Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (IETS), com apoio da Secretaria Estadual de Cultura, da Lei de Incentivo à Cultura e da Light.

Serviço:
Conversas na Biblioteca

“A rua e seus moradores: uma relação de in(visibilidade)?”
Com Yzadora Monteiro, jornalista e uma das criadoras da página do Facebook "Rio Invisível", e Rodrigo Abel, subsecretário de Proteção Social Especial da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social
Biblioteca Parque Estadual – Av. Presidente Vargas - 1261 - Centro
Observação: o evento começa às 18h, pontualmente. Após as 18h30, a entrada será pela porta lateral, junto à Praça da República.

  • Compartilhe:

Mais Conversa na Biblioteca

Numa guerra sem vencedores, vitória é continuar a acreditar

Numa emocionante edição do "Conversas na Biblioteca", midiativista e pesquisadora discutiram os efeitos da política de drogas nas favelas do Rio

Notícias falsas no quarto maior jornal do país

Em bate-papo na Biblioteca Parque Estadual, autores do Sensacionalista revelaram bastidores e o processo criativo das manchetes fictícias

Guerra sem vencedores: a política de drogas na favela e no asfalto

Ana Paula Pelegrino e Raull Santiago discutem tema na próxima quarta-feira (24/2), a partir das 18h, na Biblioteca Parque Estadual

Ouça as vozes do Rio

Preencha o formulário abaixo para assinar o boletim do VozeRio

Mais sobre fotografia

Exposição com imagens do fotógrafo amador Alberto de Sampaio combina paisagens com cenas íntimas e descontraídas do Rio do começo do século XX

Páginas do Facebook alimentam nostalgia pelo Rio Antigo

Retratos da cidade no passado proliferam nas redes sociais. Álbuns virtuais chegam a reunir centenas de milhares de fãs

Em cada edifício, uma história

Em livro, jornalista conta curiosidades e causos de prédios e casarões antigos da cidade; veja alguns exemplos

Desvendando o Rio de imagens

Desde 1840, a fotografia constrói a imagem da cidade; veja uma seleção de fotos históricas e atuais, comentada por três especialistas

Mais sobre rua

Da atuação da polícia à desesperança: como a geração de 2013 enxerga as mobilizações de 2016

Ocupando a rua, com a bênção de Donga e João da Baiana

Como um bloco como o Escravos da Mauá contribui para fortalecer a identidade do seu bairro — no caso, a zona portuária? Neste artigo, Teresa Guilhon — uma das fundadoras do cortejo — explica

Flâneur: modo de olhar

O que João do Rio encontraria se andasse pela cidade em 2015? Nesta entrevista, a socióloga Maria Alice Rezende compara o Rio de Pereira Passos com o de Eduardo Paes, renovando a importância do cronista que inventou a cidade dos anos 1910

As formas e a vida da cidade

Estudo e filme demonstram como configuração de edifícios impacta vitalidade urbana e usos do espaço público. Modelo de torres isoladas gera cidade segregada e pouco diversa
Realização:
Iets
Patrocínio:
Universeg
Apoio:
Biblioteca Parque Estadual Biblioteca Parque Estadual
 
Licença Creative Commons
Desenvolvido em SPIP pela Calepino