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Burburinho 23 / 06 / 2015| Julia Meneses

’PerifeRia’: humor "noiz por noiz"

Ao vivo pelo Google Hangout e com link pelo YouTube, ’PerifeRia’, com a dupla Marcelo Magano e Patrick Sonata, aborda situações cotidianas da vida na favela com humor crítico e inteligente.

"Eu era vegetariano. Mas eu era obrigado a ser, Marcelo. Porque não tinha carne em casa. Era feijão, arroz, alface; feijão, arroz, alface", diz Patrick Sonata em um dos episódios do programa PerifeRia. Com a proposta de fazer humor sobre o cotidiano da favela, Patrick se apresenta ao lado do também comediante Marcelo Magano toda terça, às 20h, ao vivo pelo Google Hangout e com link no youtube. Eles são a "dupla mais idiota da cidade", brinca a descrição dos comediantes na página oficial no Facebook.

Em entrevista ao Vozerio, Patrick e Marcelo, de 26 e 27 anos, explicaram que a ideia da empreitada não é apresentar os moradores de favelas como vítimas ou enaltecer a pobreza, e sim rir deles mesmos. Afinal, a figura do palhaço é a grande inspiração para os atores: ambos têm como mentor o ator e diretor Marcio Libar, criador do palhaço Cuti Cuti e de um reality game para aprendizes de palhaços.

"O palhaço é aquele que perde, que não é aceito por ninguém e não tem olhar do rancor. Ele não traz o ressentimento. A comédia mostra o mundo de uma outra forma. E, por mais que a gente seja militante, queremos falar do nosso jeito, no nosso tom", explica Marcelo Magano, para quem a militança hoje está se tornando "chata".

Envolvidos no grêmio e no teatro da Escola Municipal Compositor Luiz Gonzaga, na Cidade de Deus, Marcelo Magano e Patrick Sonata fazem comédia com histórias sobre a vida na favela desde 2004. "Eu sempre fui muito debochado e irônico, e o Marcelo, muito inteligente. Resolvemos juntar isso", conta a dupla. Os dois começaram a se apresentar em um teatro local e ganharam bolsa para cursos oferecidos pelo Retiro dos Artistas.

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Apresentação em uma praça na Barra da Tijuca, Zona Oeste (Foto: Os Confrades)

"Somos a geração ’onganizante’", brincou Marcelo quando contou que os dois amigos já fizeram muitos cursos profissionalizantes em organizações sociais: de ator a operador de áudio e contrarregra. A partir daí, não pararam mais — e dá-lhe stand up comedy, apresentações em escolas e praças da cidade, oficinas de riso e palhaçaria. Há apenas duas semanas, lançaram o programa na internet. A dupla também faz residência artística na Arena Carioca Dicró, com direção de Verrísmo Junior e Adriana Schneider.

"A TV retrata o negro, mas com estereótipos e estigmas sociais. Queremos falar com humor, mas tocando na ferida também", explicou Patrick sobre a falta de espaço na mídia tradicional. Segundo Patrick e Marcelo, não é comum no Brasil ver negros fazendo comédia. Por isso muitas das referências dos comediantes são norte-americanas — como Chris Rock, criador do famosa série Everybody Hates Chris (Todo Mundo Odeia o Chris). "Temos que aproveitar a potência que a internet nos oferece", completou Marcelo.

Segundo Patrick, a dupla já tem em mente cerca de vinte tema. Os episódios não seguem um roteiro pré-redigido; os dois improvisam a partir de uma seleção de piadas e histórias. Eles também respondem a perguntas enviadas pelas redes sociais.

Hoje, terça-feira, o tema é mercado de trabalho. "É difícil conseguir o emprego dos sonhos. A galera trabalha no McDonald’s, Subway e tem de abrir mão de fazer um curso. Isso, às vezes, pode sabotar os sonhos", disse Marcelo, dando uma palinha sobre os tópicos que serão abordados no terceiro episódio do programa, às 20h.

"O que a gente costuma conversar com os amigos é que a pista está salgada, e, por mais que a gente esteja se movimentando, estamos buscando caminhos alternativos porque não há muito espaço para o jovem, principalmente, para o jovem negro e de favela. Acreditamos no ’noiz’ por ’noiz’!", diz a dupla sobre o potencial da juventude carioca.

O programa é produzido pela produtora Os Confrades, que, na verdade, é o selo de trabalho da dupla. Ainda conta com a parceria da Malamalenga Produções, GatoMIDIA e até no figurino, com as marcas Ttrappo e, desde ontem com Fowler.

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