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Burburinho 1 / 12 / 2015| Daniel Gullino

Pesquisa inédita revela perfil do ciclista carioca

Diferente do que sugere o senso comum, a maioria dos que usam a bicicleta como meio de transporte tem salário modesto e completou ensino médio. Maior problema mencionado pelos ciclistas é a falta de infraestrutura.

(Foto: upslon/CC BY-SA)

A maioria dos ciclistas cariocas tem entre 25 e 34 anos, ganha de um a dois salários mínimos e completou o ensino médio. Essa é uma das conclusões do "Perfil do Ciclista Brasileiro", pesquisa que analisou o uso da bicicleta como meio de transporte em dez cidades das cinco regiões do país — incluindo Rio de Janeiro e Niterói.

Foram entrevistadas mais de cinco mil pessoas em todo o país, que pedalam ao menos uma vez por semana para ir de um lugar a outro. O estudo foi idealizado pela ONG Transporte Ativo e contou com o suporte técnico do Observatório das Metrópoles e do Programa de Pós-Graduação em Urbanismo da UFRJ, além de parceria com diversas organizações locais. Os resultados estão disponíveis on-line.

O dado de que a maioria desses ciclistas tem rendas mais modestas e baixa escolaridade — perfil semelhante ao encontrado em todo o Brasil — não foi uma surpresa para os organizadores. Ainda assim, Juciano Rodrigues, pesquisador do Observatório de Metrópoles, destaca que essa confirmação é importante. “Isso desmistifica a ideia de que quem usa a bicicleta são pessoas com maior renda e melhor educação”, afirma.

No Rio, o principal destino de quem pedala é o trabalho (81,8%), seguido por lazer (70,3%), compras (60,1%) e escola ou faculdade (23,9%). Vale lembrar que, na pesquisa, "lazer" significava ir de bicicleta até o local de alguma atividade, e não pedalar apenas por diversão.

Segundo José Lobo, diretor da ONG Transporte Ativo, um dos dados que surpreendeu os pesquisadores foi o grande número de pessoas que utiliza a bicicleta para fazer compras — já que boa parte das queixas em relação à construção de ciclovias vem de comerciantes, insatisfeitos com as vagas de carro perdidas.

Integração forte em Niterói

Em comparação com outras cidades, o Rio se destacou pelo número de pessoas que utiliza a bicicleta cinco dias ou mais na semana: 81,2% dos entrevistados, porcentagem menor apenas que a de Recife (89,6%). Além disso, 56% dos entrevistados cariocas usam o meio de transporte há mais de cinco anos.

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Fonte: Perfil do Ciclista Brasileiro

O maior problema, segundo 28,8% das pessoas, é a falta de infraestrutura, como ciclovias e bicicletários. Logo atrás vem a falta de respeito dos motoristas de carros e outros veículos (26,8%) e a falta de segurança no trânsito (25,6%). A insegurança pública ficou bem abaixo: apenas 10,5% dos entrevistados a consideravam o maior problema.

Niterói se destacou como a segunda cidade com o maior número de pessoas que utiliza a bicicleta em combinação com outro meio de transporte: 48% dos entrevistados. A cidade com maior integração foi Brasília (52,2%), e o Rio ficou em terceiro lugar (34,8%).

Para 37,9% dos niteroienses, a mudança que os faria pedalar com mais frequência seria a melhora na segurança no trânsito. Logo em seguida vem o desejo por mais infraestrutura (citado por 34,5% dos entrevistados). Para José Lobo, da Transporte Ativo, o uso da bicicleta em Niterói não está tão consolidado quanto no Rio, o que traz dificuldades na relação com os motoristas.

Convivência difícil com motoristas

Na capital, contudo, também há muitas reclamações sobre o convívio com os veículos motorizados. Para o professor de educação física Márcio Henriques, por exemplo, esse é o principal problema da cidade. "Alguns motoristas têm a falta de educação de parar em cima da ciclovia, ou de passar por cima para ir mais rápido", reclama. A jornalista Andréa Cals, outra ciclista frequente, reforça a crítica. "Todo trecho que não tem ciclovia é muito voraz", avalia.

Os dois têm uma rotina pesada: Márcio, de 33 anos, utiliza a bicicleta diariamente para ir às casas de seus clientes. Ele sai do Centro, onde mora, e passa por Copacabana, Cosme Velho, Santa Teresa, Botafogo, Gávea, Leblon e Ipanema.

O uso intenso da bicicleta foi motivado pelos longos períodos passados no transporte público. “É insuportável andar de ônibus. Não dá para cumprir horário nenhum”, reclama Márcio. Em segundo lugar, vem a economia do dinheiro da passagem. “No orçamento, auxilia bastante”, conta.

Aos 51 anos, Andréa mora em Laranjeiras e costuma ir de bicicleta para o trabalho, no Leblon, duas ou três vezes por semana, dependendo da sua disposição física. “Nem sempre tenho tanta energia”, revela. O hábito começou depois de ficar presa em um engarrafamento em torno da Lagoa Rodrigo de Freitas, em 2011. “Pensei: ‘Tem carro demais nessa cidade, não dá mais’”, relata a jornalista. Hoje, ela faz tudo que pode sobre as duas rodas. “Uso no dia a dia. Vou a cinema, vou ao supermercado”, afirma.

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