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Burburinho 8 / 04 / 2016| Laís Jannuzzi

Rio recebe primeira edição do Fórum Itinerante de Cinema Negro a partir desta terça (12/4)

Na sessão de abertura, será exibido filme do cineasta senegalês Ousmane Sembène, "pai do cinema africano"; evento terá ainda outras três sessões ao longo do ano no Centro. A história, dificuldades e soluções envolvidas na produção audiovisual negra também serão debatidas com figuras importantes do meio cinematográfico.

[Foto: Frame do filme "La Noire de...", de Ousmane Sembène]

Na próxima terça-feira (12/4) começa o 1º Fórum Itinerante de Cinema Negro (Ficine), que exibirá o filme "La Noire de...", do cineasta senegalês Ousmane Sembène. O evento, realizado no CineMaison, no Centro, contará ainda com outras três sessões ao longo do ano.

Após a exibição do filme — a primeira realizada no Rio —, haverá um debate sobre a produção audiovisual negra. “O Ficine trabalha com a formação de público e observamos que a projeção sozinha tem pouco efeito", explica Janaína Oliveira, coordenadora do evento. "O debate serve para refletir sobre a temática."

A obra veio diretamente da França e a projeção será em película. “Assistir filmes nesse formato é uma experiência rara atualmente”, comenta Janaína. A parceria com o Instituto Francês e a Cinemateca da Embaixada Francesa no Brasil possibilitou o acesso um enorme acervo para a realização das próximas sessões. Assim, dado o grande número de opções, a programação dará prioridade para filmes que nunca foram exibidos no Brasil. A lista das próximas sessões ainda não foi definida.

Para a cineasta carioca Aline Lourena, diretora da primeira websérie musical brasileira "Wilson Saloon", o evento é uma oportunidade para criar novas referências e paradigmas do cinema negro. "A produção afro ainda carece de espaço para falar, ser assistida e comentada”, reflete ela. Aline tornou-se colaboradora do Ficine em 2015 e organiza a oficina #meuprimeirofilme — que ensina a produzir filmes com ferramentas on-line e acesso gratuito para um público amplo, dos 16 até os 60 anos. A próxima será em maio.

Embora ainda pouco difundido, como afirmam Janaína e Aline, o cinema negro tem ganhado mais espaço no Brasil e no Rio. Em 2015, o filme "Kbela", de Yasmin Thayná foi noticiado pelos grandes veículos de comunicação e projetado em cinemas importantes, como o Odeon. Obras como "Elekô", do coletivo Mulheres de Pedra, e o próprio "Wilson Saloon", de Aline Lourena, são outros exemplos.

Essa produção recente incentivou a estudante Ana Beatriz Sacramento a produzir o documentário "Negra Sou" como conclusão do curso de Jornalismo da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). “Estou buscando tudo: inscrever o Negra Sou em festivais, investimento e conhecimento sobre o cinema negro. O próximo passo é fazer um documentário sobre as religiões de matrizes africanas, assunto tabu no país”, comenta a estudante, uma das 700 interessadas em comparecer ao Ficine.


Serviço

1º Festival Itinerante de Cinema Negro (Ficine) — Abertura
Quando: terça-feira (12/4), às 19h
Onde: CineMaison (Av. Presidente Antonio Carlos, 58, Centro)
Entrada gratuita para sócios do cinema. Para se tornar membro do CineMaison clique aqui e apresente a confirmação do cadastro impressa antes da sessão.

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