Burburinho

  • Compartilhe:
Burburinho 24 / 10 / 2016| Saulo Pereira Guimarães

Um diagnóstico sobre a região metropolitana do Rio

Um encontro nesta segunda (24) na Sala Cecília Meirelles marcou o fim da primeira etapa do Modelar a Metrópole ou Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano Integrado da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. No evento, foram apresentados os resultados da fase de diagnóstico e visão de futuro da iniciativa e discutidos os próximos passos do projeto, que deve ter a versão final divulgada em junho de 2017

Foto: imagem da Região Metropolitana do Rio feita via satélite

Apontar os problemas da Região Metropolitana do Rio de Janeiro (RMRJ) para elaborar soluções. Esse é o objetivo do Modelar a Metrópole ou Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano Integrado da RMRJ, que teve sua primeira etapa encerrada em uma cerimônia realizada nesta segunda (24), na Sala Cecília Meirelles. O evento marcou a apresentação oficial dos resultados da fase de diagnóstico e visão de futuro da iniciativa. Participaram do encontro o diretor-executivo da Câmara Metropolitana de Integração Governamental Vicente Loureiro e os urbanistas Jaime Lerner e Willy Muller, ambos do consórcio Quanta-Lerner, responsável pela execução do plano.

"Questões como saneamento, mobilidade urbana e ordenamento do território não permitem mais uma solução individual", afirmou Vicente. Ele destacou a dificuldade de construir um debate respeitoso sobre o tema em um ambiente de disputas políticas acirradas e o fato da integração metropolitana ter sido negligenciada nas últimas eleições municipais. "Nenhum dos candidatos que estão no segundo turno apresentou propostas sobre o assunto, embora ele já seja discutido há 40 anos", disse Vicente. De acordo com ele, os resultados apresentados hoje são fruto de 25 debates com mais de mil participantes que aconteceram nos últimos nove meses em 18 cidades da RMRJ.

Ao longo da primeira etapa, o plano ganhou sete eixos básicos. São eles: expansão econômica da região, preservação de seu patrimônio natural e cultural, aperfeiçoamento dos sistemas de mobilidade, diminuição do déficit habitacional, aumento do saneamento básico e do cuidado com meio ambiente, redução na desigualdade de serviços e oportunidades e atualização dos instrumentos de gestão metropolitana. A ideia é que medidas nesse sentido sejam implantadas nos próximos 25 anos.

Visões de futuro

"O futuro do Rio passa pela reinvenção da Baía de Guanabara e dos caminhos abertos pelo trem e pelo Arco Metropolitano", explicou Lerner. Para o urbanista paranaense, a elaboração de políticas integradas de habitação, mobilidade e lazer no entorno de locais como estações ferroviárias pode ser uma das chaves para a transformação da região.

Porém, para isso acontecer, é necessário que saiam do papel iniciativas como o Projeto de Lei Complementar 10, de 2015. O texto, que prevê a criação de uma órgão de gestão metropolitana, está parado na Assembleia Legislativa do estado desde março, quando foi discutido em plenário pela última vez. "Governança e planejamento são irmãos siameses. Um não existe sem o outro. Precisamos que a sociedade incorpore essa ideia e pressione os parlamentares", defendeu Vicente.

Após a apresentação inicial, o público teve oportunidade de fazer perguntas a Vicente, Lerner e Willy. Uma delas abordou o fato de grande parte dos atuais prefeitos não ter se reelegido ou emplacado sucessor na última votação, o que poderia afetar a continuidade do projeto. "Temos pela frente o desafio de conscientizar os futuros gestores e secretários da importância do processo que estamos conduzindo", afirmou Vicente.

O professor universitário Julio Sampaio perguntou aos debatedores sobre o impacto no plano da Proposta de Emenda Constitucional 241. Caso seja aprovada pelo Congresso, ela estabelecerá por 20 anos um teto para os gastos do Governo Federal. "Vamos ter que pensar projetos sinérgicos, com menos decisões setoriais e mais ações integradas. Além disso, será necessário discutir a questão da participação privada na resolução de problemas", respondeu Vicente.

Com o fim do ciclo de coleta de dados e diagnóstico da situação dos municípios, o Modelar a Metrópole entra em uma fase de discussões das propostas com os cidadãos. Para Willy, esse é um momento mais dinâmico do desenvolvimento da iniciativa. "O desafio agora é explicar temas complexos de uma forma simples", afirmou o urbanista argentino. Ele destacou o privilégio de poder repensar uma das mais importantes regiões metropolitanas do planeta. "Tenho certeza de que, hoje, esse é um dos melhores processos do tipo em andamento no mundo", disse Willy. A expectativa dos responsáveis é que a versão final do plano seja divulgada em junho de 2017.

  • Compartilhe:

Mais Burburinho

Parque Madureira não tem data para chegar à avenida Brasil

Prometida por Eduardo Paes para o ano passado, obra depende agora do aval de Marcelo Crivella

CCBB é palco de protesto após episódio de lesbofobia

Visitante acusa namorado de funcionária de discriminação durante ida ao local na última sexta (30)

Que tal aterrar a Lagoa?

Livro reúne soluções mirabolantes já propostas para os problemas de um dos principais cartões-postais do Rio

Ouça as vozes do Rio

Preencha o formulário abaixo para assinar o boletim do VozeRio

Mais sobre política

Livro aborda transformações da Baixada Fluminense durante a ditadura

6 momentos do Rio em 2016

Testemunhas contam o que viram de um dos anos mais agitados dos últimos tempos

De mulher para mulher: ocupação feminista no Rio

Rede Agora Juntas encerra neste sábado (17), na Glória, experiência que debateu direitos das mulheres

Prefeito eleito de Caxias é condenado a 7 anos de prisão por crime ambiental

De acordo com STF, Washington Reis (PMDB) se envolveu na criação de um loteamento ilegal quando era prefeito da cidade

Mais sobre Baixada Fluminense

Batizado de Geovias Metropolitano, trabalho iniciado nesta sexta (16) será coordenado pela Câmara Metropolitana

Novo endereço para criar e empreender

Espaço de ’coworking’ Gomeia surge como centro de articulação entre grupos atuantes em cultura na Baixada Fluminense

Sífilis congênita assusta na Baixada Fluminense

Taxa de incidência da doença na região é quase 30 vezes maior que o recomendado por Organização Pan-americana de Saúde

Campanha para discutir desafios do Rio pós-Jogos será lançada amanhã

Iniciativa reúne 49 entidades do Rio e do Brasil e busca compromisso de candidatos com transparência, planejamento de metas e diálogo

Mais sobre Leste Metropolitano

Famílias de pescadores ameaçadas de remoção da praia de Niterói torcem por acordo com a Prefeitura até sexta-feira

Em São Gonçalo, estrada divide Petrobras e prefeitura

Via construída pela empresa é acusada de agravar o problema dos alagamentos no Jardim Catarina

Vozes do Leste à Zona Oeste

Perguntamos a alguns participantes do Fórum Rio, que aconteceu este sábado na Pavuna, como eles imaginam o Rio e seus bairros após as Olimpíadas

Fórum Rio vai discutir Leste Metropolitano em São Gonçalo: inscrições abertas

Casa Fluminense lançará Mapa da Participação e Mapa da Desigualdade no evento, que terá 11 mesas de discussão sobre a região metropolitana

Mais sobre Região Metropolitana

Curso de idiomas ajuda refugiados a tentar um recomeço na região metropolitana do Rio

Estudo aponta centralidades emergentes na região metropolitana do Rio

Campo Grande e Taquara foram áreas citadas em pesquisa, apresentada nesta terça (06) em evento no Centro do Rio

Os últimos a serem os primeiros

Problemas em candidaturas atrasam resultado do 1º turno em Nova Iguaçu, Itaguaí e Rio Bonito

Investidores já podem comprar ações do futuro

Títulos de impacto social oferecem mecanismos de financiamento para projetos de saúde, redução do desemprego e reincidência de presos
Realização:
Iets
Patrocínio:
Universeg
Apoio:
Biblioteca Parque Estadual Biblioteca Parque Estadual
 
Licença Creative Commons
Desenvolvido em SPIP pela Calepino